Falando em Oferenda

As oferendas na Umbanda são constituídas de materiais que compõem a natureza, ou seja, energias primárias dos quatro elementos – terra, água, ar e fogo. O objetivo da oferenda é a reposição de axé ou restituição energética que porventura estejam faltando no médium em conformidade com o Orixá, propiciando equilíbrio ao aparelho mediúnico, e ao mesmo tempo manter respeitosamente a harmonia da natureza doadora, sem agredi-la. Para que isso ocorra, são ofertadas frutas, flores, velas, comidas e sementes, em um processo de intercâmbio magístico com os elementais, através do poder mental de invocação do médium. Pela invocação, o médium formará uma egrégora coletiva com a assistência amorosa dos bons espíritos, caboclos e pretos velhos.

Destacamos alguns pontos relevantes no momento de arriar uma oferenda:

• A melhor e mais poderosa de todas as oferendas é aquela que fazemos sem pretensão alguma, somente com o sentido de agradecimento. Essa é a oferenda religiosa que tem como guia o nosso coração e pode ser realizada dentro da nossa casa a qualquer hora. Uma singela oração acompanhada de uma vela e um copo de água, com a qual endereçamos o nosso amor e a nossa fé ao Orixá.

• Tudo que for solicitado só será atendido diante da necessidade e do merecimento da pessoa, portanto, as oferendas não devem ser confundidas com barganhas ou trocas do tipo ‘toma lá, dá cá’. Orixá é amor, então se a intenção for a maldade para com o outro, esta oferenda atrairá espíritos kiumbas que vibram na imoralidade tal como o pedido.

• Não adianta a pessoa oferecer uma esteira cheia de elementos caros ao Orixá, se estes elementos não são símiles a frequência vibratória do Orixá. A oferenda é um ato magístico que movimentará energias entre os planos físico e extrafísico, conforme a lei hermética de Correspondência, por isso do estudo e conhecimento.

• Os espíritos (caboclos, pretos velhos, exus etc.) e os elementais que estão enfeixados na vibratória do Orixá não comem e nem bebem os elementos ofertados. A energia que se desprende da oferenda são absorvidas, manipuladas, potencializadas e conduzidas a locais ou seres que delas necessitam, conforme a situação. Então, devemos ter em mente que Oxum não come canjica e nem mel; Xangô não bebe cerveja preta e nem Exu ingere cachaça. Estes elementos estão em conformidade com a vibração do Orixá.

• A Umbanda nos remete à louvação ao Orixá que é manifestação do divino e encontramos na Natureza sua representação ou energia mais pura; por isso, é contraditório seus filhos poluírem os locais sagrados dos Orixás. Toda oferenda tem uma finalidade, um fundamento, pois seu objetivo é de agrado aos Orixás, uma rogativa ou fortalecimento da vibração do Orixá com o Ori do solicitante. Numa visão ecológica, os médiuns poderão utilizar-se de folhas de plantas (como da bananeira) em lugar do papel, como base onde serão dispostos os elementos ofertados, ou cuias ou cascas de frutas no lugar de copos. Se for indispensável o uso de algum utensílio industrial, o mesmo deverá ser recolhido após ter sido ofertado com velas, rezas e meditações. O tempo de oferenda pode variar de 20 a 30 minutos, o suficiente para que a energia seja absorvida pelos espíritos representantes dos Orixás ou pelos elementais.

Desta maneira a Umbanda e a Natureza agradecem.

Daisy Mutti
Fragmentos do livro ENSINAMENTOS BÁSICOS DE UMBANDA

Postagem original: 'Nos Caminhos de Aruanda'

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